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Lavrar o Mar. Um novo olhar sobre o relacionamento entre pais e filhos

Lavrar o Mar. Um novo olhar sobre o relacionamento entre pais e filhos

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Beschreibung

Neste novo título de Daniel Sampaio, o autor salienta a decisiva importância de uma infância organizada à volta do amor e da disciplina, como garante de uma adolescência saudável; estimulam-se novas formas de diálogo entre pais e filhos, sem esquecer que a decisiva palavra tem de caber aos mais velhos; e dão-se numerosos exemplos de possíveis conflitos quotidianos como os horários, os dinheiros, os prémios e os castigos, a Internet, o sexo, o álcool e as drogas. Escrito de forma clara e acessível, mas sedimentado numa vasta experiência do autor no trabalho com adolescentes, Lavrar o Mar é uma obra indispensável a pais e educadores e um oportuno momento de reflexão para os mais jovens. Capítulo 7 Por uma nova ideia para a relação entre pais e filhos adolescentes Os pais de hoje perdem-se, com frequência, no mar desconhecido do relacionamento com as suas crianças e os seus adolescentes: este foi o ponto de partida para escrever este livro. Como procurei demonstrar, não se trata de um problema de Psiquiatria ou de Psicologia, mas de uma questão de Educação. Por essa razão, são escassas as referências que faço aos problemas de Saúde Mental (ao contrário de outras obras minhas, onde tratei, entre outros, de temas como a depressão e o suicídio, a anorexia nervosa e a psicose) e numerosos os apelos a novas formas de educar e de compreender as questões da família. Os pais dos nossos dias estão cheios de dúvidas. Nunca houve tanto interesse pelos filhos, nem existiu outrora tão grande preocupação em acertar. Exemplos que se multiplicam nos média sobre pais que maltratam os filhos não conseguem fazer esquecer a convicção, sustentada por muitos estudos, de que os pais actuais estão atentos e, na sua maioria, procuram fazer o melhor possível. Então por que razão se multiplicam as consultas de Psicologia para jovens, se publicam manuais para "socorrer" pais de adolescentes e se considera a juventude causa de tanta perturbação? Como poderão os pais "lavrar" este mar, descrito como cada vez mais tumultuoso? Se analisarmos o discurso mais frequente sobre o tema, compreenderemos melhor a perplexidade e indecisão de tantos educadores. A segunda metade do século XX foi pródiga em lançar a confusão. Depois da crítica aos métodos educativos bárbaros do início do século passado, a luta pelos direitos das crianças e dos jovens permitiu que os mais novos pudessem expressar os seus pontos de vista e chamou a atenção dos pais para a necessidade de considerarem os filhos como seres independentes dos progenitores, capazes de sentirem e emitirem opiniões diferentes das dos familiares. Os anos oitenta reforçaram a comunicação entre pais e filhos, através de uma aproximação das gerações (com as crianças e os adolescentes a serem capazes de exprimir ideias sobre assuntos até aí proibidos), ao mesmo tempo que crescia a denúncia para situações de abuso e exploração infantis, até aí ignoradas de muitos. Os anos noventa são caracterizados pelo notável avanço da neurobiologia, com contribuições relevantes para a compreensão de muitas perturbações infantis e para modificações no seu tratamento, com destaque para novos medicamentos utilizados pela primeira vez em crianças e adolescentes. Foi uma época em que muitos pais acreditaram que não era preciso terem uma acção decisiva: para os filhos saudáveis, bastava uma orientação ocasional para que em breve retomassem o rumo pretendido; para os filhos doentes, precisavam de ler sobre patologia, ou enviá-los rapidamente para o médico ou para o psicólogo. Depressa, todavia, compreenderam o engano: a maioria dos conflitos caseiros nada tem a ver com questões de Saúde Mental, os tratamentos psicológicos são caros ou inacessíveis e prestam muito pouca atenção à família, os livros de auto-ajuda desfilam uma série de lugares-comuns e propõem medidas tão simples que os deixam a pensar o filho como um caso desesperado e sem qualquer solução. Quando viviam as suas dúvidas, começaram a descortinar, primeiro de uma forma insidiosa, depois sem qualquer reserva, apelos à "autoridade" de pais e professores, como se o problema residisse na sua falta de força ou no medo de enfrentar os filhos. Em artigos de jornais ou em programas de televisão, os pais são advertidos para as consequências funestas da sua falta de pulso e desacreditados, aos olhos da opinião pública, pela escassez evidente de determinações claras em relação aos seus descendentes. Não há dúvida de que existe uma diminuição de convicção, de rumo e de decisão em muitos progenitores de hoje, como ilustrei em vários capítulos deste livro. A solução não reside, todavia, na recuperação de medidas autoritárias do passado nem em apelos a intervenções mais ou menos musculadas na família e na escola. Quem contacta com frequência com crianças e jovens compreende logo que já não é possível obter resultados através de um progressivo endurecimento de proposições ou de directrizes não explicadas. Com estas actuações (já visíveis em alguns sectores) apenas conseguiremos respostas mais agressivas por parte dos mais novos, ou rupturas definitivas na possibilidade de entendimento entre as gerações. Não esqueço que os últimos anos demonstram, em muitos casos, uma inaceitável mudança na relação entre os adolescentes e os seus interlocutores mais velhos. A ausência de limites, o desprezo pelas regras, a linguagem sem freio, por vezes mesmo a agressão física a pais e professores, visíveis em muitos locais de encontro de gerações (como a casa, a escola ou o café do bairro), são a prova de que a hierarquia saudável do relacionamento se alterou para pior. Quem de bom senso e honestidade mínima pode, contudo, defender que o problema se resolve com mais repressão dos adultos? Se um aluno empurra um professor, a resposta será bater com mais força? Se um filho solta uma obscenidade na conversa com a mãe, o correcto será descer ao mesmo nível? Julgo que não. O caminho é mais complexo, mas possível. Para termos melhores adolescentes, com menos problemas no seu interior e mais capacidade de relacionamento com os que os rodeiam, temos de fazer muitas mudanças na maneira de pensar e de agir face aos jovens. Neste último capítulo, procuro condensar as principais linhas de força de um novo paradigma de relacionamento entre pais e filhos, base fundamental para qualquer mudança relacional. Comecemos por pensar que nós, adultos, mudámos muito. A pressão económica, a dificuldade no emprego, a instabilidade do contrato conjugal com o aumento dos divórcios, as frequentes mudanças de casa e a diminuição do suporte das redes relacionais (falta de solidariedade e de convivência com vizinhos, indisponibilidade frequente da família alargada), o fim das utopias e a invasão pelos governos e média nos comportamentos individuais e familiares são apenas alguns exemplos de como a adultícia se modificou nos últimos cinquenta anos. Quem poderia esperar que essas alterações não tivessem repercussões nas crianças e nos adolescentes? Que fazer então?

Zusätzliche Produktinformationen

Produktart
Libro | Livro | Buch
Sprache
português europeu
Autor*in
Daniel Sampaio